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Finanças

Juros do Financiamento: O Segredo para Pagar Menos Imposto na Venda

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Imomó Intelligence

Equipe de Data Science

Juros do Financiamento: O Segredo para Pagar Menos Imposto na Venda

Um dos erros mais comuns dos proprietários de imóveis no Brasil é acreditar que o valor do seu apartamento no Imposto de Renda (IRPF) deve ficar "congelado" no preço da escritura.

Se você financiou seu imóvel, existe uma regra da Receita Federal — desconhecida por muitos — que permite que você aumente legalmente o custo de aquisição do bem, incluindo cada centavo de juros e taxas pagos ao banco.

Na prática, isso significa que, quando você vender o imóvel daqui a 10 ou 15 anos, o seu "lucro imobiliário" tributável será muito menor.

O Mito da Dedução vs. A Realidade do Custo

Em países como os Estados Unidos, os juros do financiamento imobiliário (mortgage interest deduction) podem ser deduzidos diretamente da renda tributável anual do contribuinte. No Brasil, a regra é diferente, mas não menos vantajosa no longo prazo.

Aqui, você não abate os juros do seu salário mensal, mas você os incorpora ao valor do ativo.

O que diz a lei (Fontes Oficiais)

De acordo com o guia oficial da Receita Federal (conhecido como "Perguntão" do IRPF, Pergunta nº 600 e 646 do Perguntão de 2024), podem integrar o custo de aquisição:

"(i) Os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel;"

Isso inclui não apenas os juros, mas também as taxas bancárias de administração e o próprio Seguro Habitacional obrigatório (MIP e DFI) embutido nas parcelas.

Por que isso é vital no cenário brasileiro?

No Brasil, o custo de aquisição de imóveis não é corrigido pela inflação desde 1995. Isso cria uma armadilha: se você comprou um imóvel por R$ 500 mil há 10 anos e hoje ele vale R$ 900 mil apenas por causa da inflação, a Receita Federal enxerga um "lucro" de R$ 400 mil e quer cobrar 15% de imposto sobre isso (GCAP).

Valorização Real vs. Referências de Mercado

Entender o custo de oportunidade e a inflação é fundamental. Veja abaixo como o preço médio dos imóveis em São Paulo tem se comportado nos últimos 3 anos em comparação com o CDI (Juros) e o IPCA (Inflação):

Valorização vs. CDI e IPCA

Comparativo de retorno acumulado (Base 100)

Imóveis

0.0%

Valorização no período

CDI

0.0%

Renda fixa bruta

IPCA

0.0%

Inflação acumulada

No entanto, se esse imóvel foi financiado, você provavelmente pagou cerca de R$ 300 mil em juros ao longo dessa década.

  • Sem declarar juros: Custo R$ 500k -> Venda R$ 900k = R$ 400k de lucro (Imposto: R$ 60k).
  • Com juros declarados: Custo R$ 800k (500 + 300) -> Venda R$ 900k = R$ 100k de lucro (Imposto: R$ 15k).

Resultado: Uma economia direta de R$ 45.000 apenas por saber preencher a ficha de "Bens e Direitos".

Como declarar corretamente passo a passo

  1. Ficha Bens e Direitos: Localize o item do seu imóvel.
  2. Discriminação: Informe que o imóvel é financiado, o banco, o número do contrato e o total de parcelas.
  3. Coluna "Situação em 31/12": Você nunca coloca o valor total do imóvel se ele estiver financiado. Você coloca apenas o que efetivamente saiu do seu bolso até aquela data (entrada + soma de todas as parcelas pagas no ano).
  4. Atualização Anual: A cada ano, você soma o valor pago no ano anterior ao montante já acumulado. Como a parcela inclui juros, o valor do seu imóvel na declaração vai subindo gradualmente.

Diferenças Internacionais: Brasil vs. Mundo

CaracterísticaBrasilEUA / Europa (alguns)
Dedução na RendaNão permitidaSim, reduz o imposto anual
Aumento de CustoSim, reduz o imposto na vendaNem sempre permitido
ImpactoFocado em Ganho de CapitalFocado em Fluxo de Caixa Mensal

Conclusão

Os juros do financiamento imobiliário funcionam, no sistema tributário brasileiro, como um escudo fiscal contra a inflação. Como os juros em contratos longos costumam ser superiores à inflação do período, ao adicioná-los ao custo do imóvel, você muitas vezes anula completamente o imposto de ganho de capital.

Dica de Ouro: Guarde todos os demonstrativos anuais fornecidos pelo banco (informe de rendimentos para fins de IR). Eles são sua prova documental para o aumento do custo de aquisição.

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Isenção de Responsabilidade: Este conteúdo tem caráter meramente informativo e educativo, baseado nas normas da Receita Federal do Brasil vigentes em janeiro de 2026. Este guia não constitui assessoria jurídica, contábil ou tributária. As leis fiscais estão sujeitas a alterações e interpretações variadas. Antes de tomar qualquer decisão financeira ou submeter sua declaração, consulte um contador qualificado ou advogado tributarista para analisar seu caso específico. O Imomó não se responsabiliza por decisões tomadas com base nas informações aqui apresentadas.

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