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Análise

Quanto custa o m² em São Paulo? O mapa real dos 329 bairros

I

Imomó Intelligence

Equipe de Data Science

Quanto custa o m² em São Paulo? O mapa real dos 329 bairros

"Quanto custa o metro quadrado em São Paulo?"

É a pergunta mais comum do mercado imobiliário paulistano — e a que tem a pior resposta disponível. As respostas que circulam vêm quase sempre de preços de anúncio: o que o proprietário pediu, não o que o comprador pagou.

A diferença não é detalhe. Anúncio é expectativa; ITBI é fato consumado.

Mapeamos o preço mediano de transação de 329 bairros de São Paulo a partir dos registros de ITBI. O resultado mostra uma cidade muito mais desigual do que a média sugere.

A cidade custa 7,3 vezes mais em um lado do que no outro

O bairro mais caro de São Paulo é o Jardim América, com mediana de R$ 24.726/m².

Entre os bairros com volume relevante de transações, o mais acessível é Lauzane Paulista, na Zona Norte, com R$ 3.407/m².

A razão entre os dois é de 7,3x — na mesma cidade, sob a mesma prefeitura.

Traduzido para um apartamento de 60 m²:

BairroMediana R$/m²60 m² custam
Jardim AméricaR$ 24.726R$ 1.483.572
PinheirosR$ 10.887R$ 653.220
Vila MarianaR$ 7.718R$ 463.110
TatuapéR$ 5.505R$ 330.300
Lauzane PaulistaR$ 3.407R$ 204.444

O mesmo imóvel, na mesma metragem, custa sete apartamentos de diferença dependendo do CEP.

O topo é raro e pouco líquido

Um detalhe que os rankings costumam esconder: os bairros mais caros são também os que menos transacionam.

BairroR$/m²Transações registradas
Jardim AméricaR$ 24.7262.656
Jardim EuropaR$ 23.811726
Jardim PaulistanoR$ 15.527919
Cidade JardimR$ 14.238220
Vila Nova ConceiçãoR$ 11.7475.534
PinheirosR$ 10.88717.481

O Cidade Jardim tem 220 transações em toda a série histórica. O Jardim Europa, 726. Comparado a Pinheiros, com 17.481.

Isso tem duas implicações práticas:

  1. A mediana desses bairros é estatisticamente frágil. Com poucas transações, um único negócio atípico move o número inteiro. Trate esses valores como referência aproximada, não como preço de tabela.
  2. Liquidez é parte do preço. Um imóvel em um bairro com 220 transações históricas pode levar muitos meses para encontrar comprador. Para quem investe, isso é risco — e deveria estar embutido no valor.

Bairros como Pinheiros e Vila Nova Conceição são mais interessantes analiticamente: caros e líquidos. O preço ali reflete demanda real e recorrente, não um punhado de negócios excepcionais.

A mediana da cidade é mais baixa do que se imagina

Reunindo os 325 bairros com dados suficientes, a mediana das medianas fica em torno de R$ 4.258/m².

Esse número surpreende quem acompanha o mercado pelos portais. A razão é simples: a cobertura editorial e publicitária concentra-se em uma dezena de bairros da Zona Oeste e do quadrante sudoeste — que são atípicos, não representativos.

A São Paulo real, medida por onde as pessoas efetivamente compram, transaciona em uma faixa bem mais acessível do que a percepção pública sugere.

Explore o Mercado

Explore o preço mediano de transação de qualquer bairro de São Paulo.

Por que a mediana, e não a média

Uma escolha metodológica que muda o resultado: usamos mediana, não média.

Em dados imobiliários, a média é facilmente distorcida. Uma cobertura de R$ 35 milhões vendida no Jardim América eleva a média do bairro inteiro, mesmo que ela não represente nada do estoque comum.

A mediana ignora extremos por construção: é o valor do meio, o ponto em que metade das transações ficou acima e metade abaixo. Para responder "quanto custa um imóvel típico aqui?", a mediana é quase sempre a métrica honesta.

O limite desta análise (e ele é importante)

Preço por bairro é um bom ponto de partida e um péssimo ponto de chegada.

Dentro de um mesmo bairro, a variação costuma ser enorme. Duas ruas paralelas podem ter medianas muito distintas; dois prédios na mesma rua também, dependendo de idade, padrão construtivo e perfil das plantas. E dentro do mesmo prédio, andar e posição solar movem o preço.

A média do bairro serve para enquadrar uma decisão — dizer se você está na faixa certa da cidade. Ela não serve para precificar um imóvel específico. Para isso é preciso descer ao nível da rua e do edifício, onde estão as transações comparáveis de verdade.

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Metodologia

Base de mais de 868 mil transações registradas via ITBI na cidade de São Paulo. Todos os valores refletem o preço efetivamente transacionado, não o preço de anúncio. Consideramos 329 bairros, dos quais 325 têm volume suficiente para uma mediana confiável.

Para o recorte de bairros mais acessíveis, aplicamos um piso de 3.000 transações históricas, evitando que regiões com poucos negócios apareçam artificialmente no topo ou na base do ranking.

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